Usain Bolt e a máquina de fazer dinheiro

Usain Bolt e a máquina de fazer dinheiro

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Em agosto, depois dos feitos de Bolt no Mundial, o presidente da Puma, Jochen Zeitz, divulgou em entrevista coletiva que o jamaicano obteve 250 milhões de euros (R$ 657 milhões) em exposição de mídia para a Puma.

Os valores do novo contrato da empresa com Bolt não foram revelados. Entretanto, a imprensa alemã divulgou que o corredor receberá US$ 250 mil a cada prova (anteriormente, a empresa desembolsava US$ 100 mil) e mais um montante fixo por mês.

Se esses valores forem confirmados, Bolt deve atingir US$ 10 milhões na próxima temporada apenas com premiações, cotas de participação em corridas e contratos publicitários.


Eu sei que ele não é normal. Eu sei que ele tem um talento quase irreal. Eu sei também que a Jamaica tem excelentes centros de treinamento de atletismo e que isso o ajudou a chegar aonde ele chegou. Mas será que a gente não consegue fazer a mesma coisa?

Admito que fiquei impressionada pelos valores dessa matéria. US$250mil por cada corrida é dinheiro demais. 250 milhões de euros de exposição na mídia também. 10 milhões no bolso no fim da próxima temporada também. É muito dinheiro que a gente aqui pode estar perdendo e deixando na mão dos outros.

A Jamaica não é um país desenvolvido, pelo contrário. É uma ilhazinha no meio do Caribe que só produziu o Bob Marley de bom. Mas, ao contrário de todas as probabilidades, produz corredores de velocidade muito bons. Ganhou praticamente tudo nas provas de velocidade em Pequim ano passado. Por que? Porque nisso eles investem. Eles sabem que têm potencial e investem. E, como se pode ver pelos números do Usain Bolt, o resultado é excelente.

Agora vamos pensar aqui. Será que o Brasil também não tem potencial para formar um Usain Bolt da vida? Será que nas periferias não tem crianças e adolescentes com talento para correr, saltar ou atirar coisas esquisitas tipo martelo? Não quero parecer preconceituosa, mas uma coisa é fato, biologicamente comprovado até. Os negros são mais aptos a determinados esportes, como corridas de velocidade. A imensa maioria dos pobres no país são negros. Já pensou quanta coisa boa poderia surgir se investíssemos em atletismo nas escolas públicas, por exemplo? Quanto talento poderia ser descoberto? E quanto retorno financeiro poderíamos ter? Não digo que teríamos o próximo homem mais rápido do mundo, mas seria interessante para todos. Mais atletas, mais medalhas, mais premiações, mais patrocínios, mais retorno financeiro para todos, atletas e patrocinadores.

E veja bem. O dinheiro que gora em torno do Usain Bolt não é só porque ele ganha as provas. É porque cada vez que ele ganha e segura o tênis com a mão, é a Puma que aparece na tv e na capa dos principais jornais do mundo. Isso é uma coisa que o brasileiro não aprendeu a fazer ainda, usar a própria imagem como propaganda. Os próprios jogadores de futebol são mais marketeiros lá do que aqui. Ou por acaso você vê na rua outdoor ou até propaganda de televisão do Adriano, do Diego Souza ou do Fred que nem se vê lá fora. É, pois é. Além de fabricar atletas, o Brasil precisa aprender que o retorno financeiro de um atleta não é somente títulos e venda de camisa. É muito mais do que isso.

É tudo um grande ciclo. O país produz um atleta. Esse atleta começa a ganhar competições. Uma grande empresa começa a patrocinar e patrocínio é igual a investimento. O atleta começa a ganhar mais e mais competições. A exposição do atleta aumenta cada vê mais, juntamente com a exposição da marca. Atleta fica cheio de dinheiro. O país começa a receber mais atenção da mídia e dos investidores. O investimento vai aumentando, principalmente com os novos atletas. O país produz outro atleta e o ciclo recomeça. O problema é que o Brasil ainda não aprendeu a fazer isso. Acha melhor pegar o atleta pronto e usar como propaganda. Desse jeito, o Brasil nunca vai chegar a lugar nenhum no esporte e vai continuar vivendo de lampejos, como a Maurren Maggi e o Cesar Cielo.

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25 anos, carioca com orgulho, jornalista, flamenguista doente mas não odeia nenhum outro time, já morou no País de Gales mas prefere a Inglaterra, adora rugby e não suporta basquete, acha o Zidane o maior jogador de futebol que viu jogar, viciada em Lost e Jack Bauer, odeia novelas do Manoel Carlos e nunca vai colocar o nome da filha de Helena e tem o Johnny Deep como o cara mais lindo do mundo.

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