Togo e uma sucessão de erros
A questão é a seguinte. Eu não quero ser insensível nem deixar de achar um absurdo um ônibus com jogadores de futebol ser metralhado. Mas o erro começou antes. A Angola não é lá um dos lugares mais seguros do mundo. Aliás, a África inteira não é lá muito divertida. Tem lá suas belezas incomparáveis com o resto do mundo, sua história, uma cultura fascinante, mas a realidade é bem diferente da mostrada nos inúmeros programas pré-Copa do Mundo que mostram só o lado bom. A própria África do Sul não é esse paraíso.
Eu não quero dizer que nada deve ser feito na África. Pelo contrário, deve ser feito sim. Da mesma forma que eventos devem e vão ser feitos aqui no Rio, apesar de tudo. Só acho que tem que ser feito com uma certa lógica. Foi um absurdo colocar jogos na província de Cabinda e esse texto aqui diz tudo. A seleção de Togo ainda foi burra e foi de ônibus, deu nisso.
Vamos pensar no Rio. Quando alguém vem de fora do Rio e me faz perguntas sobre a cidade, eu sempre dou aqueles conselhos básicos de onde é perigoso andar, de não usar máquina pendurada no pescoço. Eu não vou virar e falar que é tranquilaço visitar o Morro do Alemão. Se a pessoa vai seguir suas dicas ou não, não é problema meu. E se ela for assaltada, não foi por falta de aviso. O carioca mesmo toma precauções contra a violência. Em um mundo perfeito não deveria ser assim, mas é.
O que aconteceu foi uma irresponsabilidade geral da FIFA e da CAF de colocar jogos em um território conturbado e não oferecer segurança suficiente para os atletas. Eventos de futebol deveriam ser menos políticos, os velhinhos deveriam pensar mais nos atletas e no futebol em si. É justo realizar competições em lugares mais complexos e menos ricos, mas com uma organização decente. Senão vai continuar acontecendo esse tipo de coisa e a responsabilidade nunca vai ser dada para pessoa certa. A culpa não é de um grupo que existe há 30 anos naquela região. A culpa é de quem expôs inocentes a isso.

