Times pequenos não sobrevivem

Times pequenos não sobrevivem

“A temporada de 2009 foi muito boa para o Barueri. No Paulistão, a equipe lutou pelo título do Interior e não correu risco de rebaixamento. Já em sua estreia no Brasileirão, o clube da Grande São Paulo ficou entre os melhores e garantiu a classificação para a Copa Sul-Americana em 2010.

Mas, após o término do Campeonato Brasileiro, o Barueri sofreu um profundo desmanche. Ao todo, sete titulares já deixaram o clube. São eles o goleiro René (está fechando com a Portuguesa), os zagueiros Xandão e André Luís e o atacante Fernandinho (acertaram com o São Paulo), o lateral esquerdo Márcio Careca (foi para o Vasco), o meia Thiago Humberto (se mandou para o Internacional) e o volante Ralf (definiu sua vida com o Corinthians).

Já o técnico Luís Carlos Goiano não chegou a um acordo financeiro com a diretoria e decidiu deixar o clube na última terça-feira à noite.”

Aí eu me pergunto, alguém achou que ia acontecer alguma coisa diferente disso? Alguém realmente acha que bons resultados vão transformar o Barueri num time tradicional, com torcida e tudo que tem direito? Se alguém achou isso, desculpa, mas é muita ingenuidade.

Desde o início do campeonato eu falo que o Barueri é o novo São Caetano. É um time com investimentos (não estou discutindo a legalidade deles), jogadores relativamente competentes, com uma estrutura boa para o tamanho do clube, com um estádio muito bom para o padrão brasileiro e que veio para encher o saco dos grandes. Mas não tem um detalhezinho muito importante, a durabilidade. Não dou mais de 2 anos para o Barueri cair para série B e sumir do mapa, exatamente que nem o São Caetano.

Por que isso? Jogador nenhum quer jogar num time desses. Os jogadores do Barueri tinham perfeita noção que fazer um campeonato bom ia gerar conseqüências enormes para eles, como contratos com times grandes. Imagina o cara que nunca teve muitas oportunidades da vida e vê a série A do Brasileiro cair no colo dele num time pequeno. Ele vai dar a vida para jogar bem todos os jogos, mostrar serviço e no final do ano receber uma proposta de um time grande. Ele vai trocar um Barueri da vida por um São Paulo, um Internacional, um Vasco? É óbvio que vai. Ele sabe que o salário provavelmente vai atrasar, que a estrutura talvez não seja tão boa, que a pressão vai ser enorme mas é a chance dele de jogar num time grande, vestir uma camisa que tenha história, entrar num estádio lotado que grita seu nome eventualmente (e te xinga eventualmente também). Dinheiro é muito importante para esses caras? É. Mas a experiência de vestir uma camisa importante também.

Vamos analisar outra parte do texto.

“Após desmanchar o time titular e perder a comissão técnica, a diretoria do Barueri está travando um guerra política com o município de Barueri. O atual prefeito não está disposto a continuar investindo financeiramente no clube. E o impasse pode tirar o time da cidade.

Revoltados com a atitude da prefeitura, a diretoria do Barueri não descarta a possibilidade de abandonar o município e aceitar a proposta de outra cidade para mudar de nome e de região.”

Quem é que vai investir direto num time que vai se transformar em outro todo ano? Para o patrocinador não vale a pena. É bom para os empresários, que vão ganhar uma boa grana com as transferências. Mas para eventuais patrocinadores não é. É um elenco por ano, a exposição na mídia é pequena, não tem torcida para comprar camisa e desfilar a marca na rua. É gastar dinheiro demais para ter pouco retorno.

É por isso tudo que times desse tipo nunca vão funcionar aqui. Eles só vão dar certo se o foco for esse, criar jogadores para revender depois de um bom campeonato. Se o foco for crescer, formar uma torcida, virar um clube de verdade, não vai funcionar. O futebol no mundo inteiro não é feito só de títulos e resultados. É feito de história, de tradição, de torcida, de ídolos, de amor à camisa. E isso é uma coisa que esses clubes nunca vão ter.

Tags: , , ,

Leave a Reply





25 anos, carioca com orgulho, jornalista, flamenguista doente mas não odeia nenhum outro time, já morou no País de Gales mas prefere a Inglaterra, adora rugby e não suporta basquete, acha o Zidane o maior jogador de futebol que viu jogar, viciada em Lost e Jack Bauer, odeia novelas do Manoel Carlos e nunca vai colocar o nome da filha de Helena e tem o Johnny Deep como o cara mais lindo do mundo.

Assine nosso Feed