Punir sim. Banir não.

Punir sim. Banir não.

O livro é bem detalhado em todas as fases da vida dele. A infância, adolescência, relação com os pais, como virou um grande traficante e principalmente a parte dele preso, tanto na Polinter quanto no manicômio. E é triste, muito triste. A sensação de recuperação, de arrependimento e principalmente de como ele ganhou uma segunda chance de viver é melhor mostrada no livro. O que foi para telona foi muito mais a glamourização do viciado e da vida do traficante do que o sofrimento dele. E foi isso que a maioria das pessoas viram. E não só viram, como idolatraram.

Mas enfim, eu enchi lingüiça com o filme para falar de outra pessoa no mesmo assunto: o Jobson. Bom jogador de futebol, 21 anos, começando a carreira agora, foi uma das estrelas da reta final do Brasileiro. Foi pego no exame anti-doping primeiro pelo jogo do Coritiba e agora pelo jogo do Palmeiras. Admito que acompanhei pouco isso ontem porque passei quase o tempo todo fora do computador, porém li algumas reações no twitter e discordei de todas elas.

Eu sei que está na lei e ele talvez seja banido do esporte por resultados positivos em mais de um jogo. Mas será que isso é necessário? João Estrela virou herói, teve sua história contada somente pelo lado bom e hoje é exemplo para todo mundo. O Casagrande cheirou cocaína por anos e anos, prejudicou a família, não duvido que a Globo o tenha acobertado até certo ponto, ficou um ano internado e ganhou uma segunda chance. Quantos jornalistas não devem cheirar para manter o ritmo. Quantos atores e atrizes não são viciados. Quantos empresários famosos não devem usar drogas também. Por que o Jobson tem que virar um monstro? Só porque na cabeça das pessoas atletas têm que dar exemplo? Pelo amor de Deus, não é assim que as coisas funcionam.

Esse negócio de atleta e artista ser exemplo é meio exagerado. Desde quando a Xuxa e seus filmes e fotos eróticas são exemplo para alguém? E a Ivete Sangalo, que teve um filho que ninguém sabe direito quem é o pai? E o Fábio Assunção? Isso é exemplo? Óbvio que não. E ainda são colocadas na mídia como pessoas “do bem”. E o Jobson? Ah não, jogador de futebol, negro, pobre, vira marginal, óbvio. Virou bandido. Não merece uma segunda chance. Tem que acabar com a carreira dele mesmo, jogar na sarjeta, virar exemplo do que não se deve fazer. E o que ele vai fazer agora? Que se vire sozinho.

Desculpa, mas não concordo. Punição sim, mas sem banir. Por que tantos outros mereceram a recuperação e ele não? Por que tantas outras histórias são ignoradas e ele virou assunto? Que seja condenado a 2, 3 anos fora do esporte. Mas que volte, e vire exemplo de que todo mundo, inclusive os jogadores de futebol, merecem uma segunda chance. Ele não é diferente de ninguém para ser marginalizado desse jeito.

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25 anos, carioca com orgulho, jornalista, flamenguista doente mas não odeia nenhum outro time, já morou no País de Gales mas prefere a Inglaterra, adora rugby e não suporta basquete, acha o Zidane o maior jogador de futebol que viu jogar, viciada em Lost e Jack Bauer, odeia novelas do Manoel Carlos e nunca vai colocar o nome da filha de Helena e tem o Johnny Deep como o cara mais lindo do mundo.

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